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04/08/2009 - Diário de Notícias Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Alemanha julga por fraude empresário da era Kohl

Por: Helena Tecedeiro


Antes de entrar no avião a caminho da Alemanha, Karlheinz Schreiber ainda conseguiu ligar à mulher a dizer para não se preocupar. Acompanhado por polícias federais, o lobbyista e empresário do sector do armamento acabara de ouvir o tribunal de Toronto rejeitar o seu recurso e ditar a sua extradição, pondo fim a dez anos de truques judiciais para evitar um julgamento por fraude e corrupção que pode valer 15 anos de prisão.

Schreiber, que tem dupla nacionalidade - canadiana e alemã - foi detido no Canadá em 1999 ao abrigo de um mandado de captura emitido na Alemanha. No início da década estivera alegadamente envolvido no escândalo do saco azul da União Cristã-Democrata alemã, a CDU, o partido do então chanceler Helmut Kohl. Libertado pouco depois, o empresário é agora procurado devido às doações secretas que terá feito para as campanhas da CDU.

Este escândalo veio manchar a reputação de Helmut Kohl, o chanceler da Reunificação, visto até então como um "monumento político" pelos alemães. Depois da derrota da CDU nas eleições de 1998 e das notícias sobre o envolvimento do chanceler neste escândalo em que terá recebido um milhão de marcos (500 mil euros) no quadro da venda de blindados à Arábia Saudita durante a Guerra do Golfo, alguns dos seus aliados afastaram-se dele. Foi o caso de Angela Merkel, a sua pupila que em 2000 chegaria à liderança dos cristãos-democratas.

Mas se na altura a sua posição lhe deu vantagem, hoje a chanceler - que vai a votos a 27 de Setembro contra os seus companheiros de coligação, os sociais-democratas do SPD - pode vir a sofrer com a publicidade em torno do regresso de Schreiber.

Numa conferência de imprensa antes de deixar Toronto, Schreiber, que acabara de ser entregue às autoridades pela imigração no Canadá, afirmou que Berlim fez pressão sobre Otava para acelerar a sua extradição. "Sabemos agora que a ministra da Justiça alemã [Brigitte Zypries, do SPD] enviou um fax na quinta-feira a Rob Nicholson [o seu homólogo canadiano] a dizer: 'Chegou o momento de nos entregarem esse tipo'", lançou Schreiber diante das câmaras de televisão. Para o empresário não há dúvidas de que se trata de uma conspiração para que a CDU perca as próximas eleições.

Durante uma década, Schreiber explorou como ninguém todos os recursos que o sistema judicial canadiano coloca à disposição para adiar a extradição. Uma batalha judicial cujo fim foi relatado à AFP pelo ministro da Justiça canadiano. "A extradição [de Schreiber] está totalmente de acordo com a lei", garantiu Rob Nicholson. Pouco antes, a mulher do empresário, Barbel Schreiber, confirmara ao Globe and Mail que o marido embarcara a caminho da Alemanha.

O último recurso do lobbyista foi rejeitado pela juíza Barbara Ann Conway. Esta explicou assim a decisão ao site do diário canadiano Toronto Star: "O senhor Schreiber percorreu um longo caminho para evitar a extradição. Mas agora chegou ao fim". A magistrada disse não ter ficado convencida com os argumentos da defesa no que constituiu "o mais recente episódio para tentar travar os avanços da justiça".

E enquanto a justiça tentava digerir os seus recursos, Schreiber estava envolvido num outro caso. O empresário foi testemunha num inquérito público às finanças do ex-primeiro-ministro canadiano Brian Mulroney. Este admitiu ter aceitado 150 mil euros para favorecer a empresa de Schreiber. Apesar de garantir já não estar no cargo quando tal aconteceu.

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