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31/07/2009 - JM News Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

171: A arte de enganar

Por: Rodrigo Kwiatkowski Da Silva

Crime de difícil autuação em flagrante, estelionato foi registrado 214 vezes em 2009, 85% a mais em relação a 2008.

O crime cometido pelos '171' (artigo do Código Penal que dá apelido aos praticantes do crime de estelionato) dificilmente segura o criminoso na cadeia. Esta é a opinião de policiais e investigadores. O estelionatário pratica a arte de enganar os de boa-fé, geralmente é um tipo sociável e precisa ser esperto o bastante para convencer as vítimas de sua sinceridade para obter algum tipo de vantagem.

Para ilustrar como funciona esse mundo, o JM foi até o Míni-presídio Hildebrando de Souza ouvir os detentos do 'Cadeião'. "Se você sair na rua e parar dez pessoas, nove vão dizer que têm problemas econômicos. O estelionatário vai aproveitar uma fragilidade tua para te enganar", revela um dos presidiários ouvidos pelo JM. Foram registrados nos primeiros seis meses de 2008 116 Boletins de Ocorrência (BOs) contra estelionato. Já em 2009, durante a crise financeira, foram registradas 214 reclamações de vítimas, um crescimento de 85% em relação aos dois períodos.

São pessoas difíceis de serem levadas à prisão. No Hildebrando, não passam de cinco. Entre os motivos está o fato de que agem por pouco tempo e costumam migrar de cidade. Outro é que a pena pelo crime de estelionato é de um a cinco anos. Quando condenado a menos de quatro, o autor do crime poderá ter a pena substituída por serviços comunitários.

"O estelionato é um crime complexo. Geralmente a vítima é induzida ao erro e, quando percebe que sofreu dano, normalmente o criminoso está longe. Isso explica a diferença entre o número de Boletins de Ocorrência e a quantidade de presos", afirma o delegado Rodrigo da Silva Cruz. "As pessoas devem evitar dar confiança a estranhos, porque esse tipo de crime é aplicado há décadas. Justamente porque existem pessoas (vítimas) que agem por ganância ou ingenuidade", diz Rodrigo Cruz.

'O golpista tem uma lábia poderosa'

José foi preso por outro crime, mas afirma conhecer como age um estelionatário. "Na hora de passar um cheque, pode até ter ali um nome de mulher. Ele vai falar com a vendedora, dizer que está bonita. Vai distrair o vendedor, dizer que está só olhando, mas de repente começa a perguntar o preço. Vai se fazer de humilde", diz.

Depois que uma pessoa cai no 'conto do paco' (quando o punguista oferece trocar um maço de papelão pela quantia que a pessoa tiver na bolsa), pode até não acreditar em como foi cair na armadilha. "A pessoa que faz o golpe do paco tem uma lábia muito poderosa, é 171 nervoso", diz José.

Antônio diz ter sido preso por receptação. Apontado como 171, ele afirma não ter praticado o crime. "Hoje em dia você tem que ficar esperto, porque todo mundo tem cartão de crédito, talão de cheques. Tudo isso, uma hora ou outra, pode ser passado para frente se a pessoa for vítima", alerta. Segundo ele, muitos vendedores caem na lábia dos estelionatários por preconceito. "Às vezes uma pessoa humilde e correta, que paga tudo bem direitinho, é discriminada. E o cara que passa por bem-sucedido é o mal-intencionado, é aquele que faz dar os rombos", avisa.

Polícia Militar atua de forma preventiva

A grande dificuldade da polícia é realizar uma prisão em flagrante. "Atuamos preventivamente e algumas vezes conseguimos fazer a identificação dessas pessoas, apreendendo bolos falsos de notas, mas elas não necessariamente aplicaram o golpe", afirma o tenente Fabian Borges Ogura, do 1º Batalhão da Polícia Militar.

Atitudes como exigir da pessoa que passa o cheque o documento de identidade e a confirmação de informações podem evitar os transtornos. "Muitas vezes, quando o funcionário toma esse tipo de precaução, acaba afugentando o estelionatário. Ele deve ser bastante diligente em qualquer tipo de situação, o que acaba por evitar o golpe", diz Ogura.

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