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20/07/2009 - Vooz Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Golpe do bilhete premiado - Como se livrar dos vigaristas

Por: Jefferson Xavier


O Fantástico mostrou como agem as quadrilhas de vigaristas que aplicam o manjado golpe do bilhete premiado.

“A gente vai quarta, quinta e sexta. Duvido que nestes três dias a gente não arrume dinheiro”, diz uma mulher.

“É um anel bom. O ouro que é dele é o melhor ouro que tem”, conta um homem.

“Ele chegou a pegar em um mês € 800 por semana”, diz uma mulher.

A fortuna acumulada por esses bandidos vem geralmente de idosos, de preferência mulheres, como uma aposentada de 54 anos.

“Já pensou? Seis mil! Vai fazer a maior falta”, lamenta a aposentada.

O dinheiro dela seria usado para comprar a casa própria. Os filhos ainda não sabem que a mãe foi vítima esta semana, em Sorocaba, de uma farsa muito bem montada.

“É um golpe antigo que remonta a década de 1940. Mas são vários fatores que influenciam no golpe: a lábia do criminoso, a ingenuidade das pessoas e a perspectiva de ganho fácil de ambos os lados”, afirma o delegado Wilson Negrão.

A vítima está sempre sozinha. Um homem mais velho com aparência simples pede ajuda. Diz que ganhou na loteria, mas que é analfabeto e que está sem documentos. Em troca de ajuda para sacar o dinheiro, oferece 10% do valor do prêmio.

Um segundo golpista se apresenta como advogado, oferece ajuda e liga para uma suposta lotérica. Do outro lado da linha, o terceiro golpista confirma os números do bilhete premiado.

“Aí veio com esta história provar que vocês são idôneos, que vocês têm conta em banco”, diz a aposentada, vítima do golpe.

Para dar credibilidade, geralmente o golpista que se passa por advogado saca uma alta quantia. Na verdade, são apenas algumas notas recheadas com papel, dando a ideia de que há muito dinheiro ali. A aposentada, achando que receberia em troca R$ 130 mil, fez o saque para os golpistas.

“Eu saquei cinco, que é na boca do caixa, e mil no eletrônico”, explica a aposentada.

Em São Paulo, as cidades com maior número de idosos são também as que mais registram este tipo de crime. No interior, Ribeirão Preto, Campinas e Bauru lideram a lista.

Os golpistas sempre agem no horário bancário e têm preferência pelas terças-feiras. Uma senhora de 76 anos entra na agência acompanhada pelo bandido. Durante os 20 minutos que os dois ficam ali, ela saca R$ 14 mil. Hoje a polícia tenta identificar quem é o homem que levou do dinheiro.

Nos últimos meses, três quadrilhas foram presas em Florianópolis, Bauru e Rio Claro. Os grampos revelam que os grupos se conhecem.
“Eu viajo para Cuiabá, para Campo Grande, Belo Horizonte, para Goiânia, para Brasília, que eu conheço tudo, entendeu?”, diz um homem não identificado.

Suspeitos monitorados pela polícia foram presos em maio, quando agiam em Mato Grosso do Sul. Eles fizeram seis vítimas e acumularam R$ 270 mil.

“Para resolver meu problema, eu não preciso de muita gente. Bem, só uma bem boa resolve”, afirma a procurada pela polícia, Viviany Araújo.

Uma professora, estudante de direito, foi uma das vítimas em Campo Grande.

“Eu fui tão besta que ela falou assim para mim: ‘Não fala para o seu filho isso aí. Você não conta para o seu filho, que isso é segredo. Só vai ficar entre nós três’”, lembra a professora.

O grupo acusado de dar o golpe é da região de Rio Claro, interior de São Paulo. Três suspeitos são da mesma família: pai, mãe e filha. Para não chamar a atenção dos vizinhos, eles diziam que eram empresários. Assim, justificavam os carros e os imóveis que compravam e também as viagens que faziam frequentemente para aplicar os golpes.

O problema é justificar a renda com a Receita Federal. É o que mostra uma das ligações que José Aparecido dos Santos, acusado de ser o chefe do grupo, recebe.

“Eu caí no pente fino do Imposto de Renda”, diz um homem.
“Ah, mas você resolve rápido!”, responde José.
“Esse negócio de pente fino da Receita Federal nunca catou você?”, pergunta o homem.
“Eles me deram uma multa lá, mas depois aquietou”, responde José.
“Só que o bagulho não é o dinheiro. O bagulho ‘é’ as propriedade que está molhando pra mim, Zezé”, afirma o homem.

Viviany Araújo, procurada pela polícia, também tinha problemas com o fisco.

“O Imposto de Renda, Viviany, está com dois carros no seu nome, apartamento que você está pagando”, diz a mãe de Viviany.

“Eu tinha que arrumar um jeito de abrir uma firma para falar de onde que vêm essas coisas”, responde a procurada.

Se a vítima não tem economia, os golpistas sugerem que ela faça dívida.

“Ela ia fazer empréstimo e tudo para arrumar dois conto e 700. Ela ligou para a filha dela para contar. A filha dela falava assim: ‘Mãe, a senhora está caindo no conto do vigário’. Ela falava assim para filha dela: ‘Não é, não é conto do vigário’”, diz Viviany.

Viviany nem chegou a ser presa. Os comparsas já estão não rua. Segundo a polícia, aplicando golpes.

“Com certeza, como esta mão tem cinco dedos, o golpista não desiste”, diz o procurador geral da Justiça Miguel Vieira.

Segundo a lei, neste crime as vítimas não sofrem violência física e, por isso, as penas são bem leves. Dificilmente o criminoso fica na cadeia.

“Você acha que eu paro? Nem se eu ficar milionária eu não paro. Quero ver quem ganha R$ 12 mil e fica duas semanas sem fazer nada”, diz Viviany.

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