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18/07/2009 - Jornal Pequeno Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

'Laranjas' do Marafolia e lavagem de dinheiro na Mirante são alvos da PF

Por: Oswaldo Viviani

Indiciamentos da ‘Operação Boi Barrica’. Fernando Sarney, Teresa Murad Sarney (mulher de Fernando), Luzia Campos (‘caixa’ do ‘esquema Fernando’), e três pessoas ligadas à Central de Eventos já foram indiciadas pela Polícia Federal.

Com os indiciamentos de Fernando José Macieira Sarney, Teresa Cristina Murad Sarney (mulher de Fernando), Luzia de Jesus Campos de Sousa, Marcelo Aragão, Thucydides Barbosa Frota e Walfredo Dantas de Araújo, a Polícia Federal sinaliza que, nesse primeiro momento, está “enquadrando” apenas duas das cinco “células” da organização criminosa chefiada, segundo a instituição, por Fernando Sarney.

A primeira, por meio da São Luís Factoring, da Gráfica Escolar (que edita o jornal O Estado do Maranhão) e da TV Mirante, seria responsável pela “lavagem” do dinheiro apurado pelo esquema. A segunda, representada pela empresa Central de Eventos – cuja principal promoção é o carnaval fora de época conhecido como Marafolia – tem, de acordo com a PF, “laranjas” como sócios para esconder os reais proprietários: Fernando e Teresa Sarney.

Fernando Sarney foi interrogado na quarta por pelo menos seis horas na Superintendência da Polícia Federal do Maranhão, em São Luís, sendo indiciado por lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, falsidade ideológica e gestão irregular de instituição financeira. Sua mulher, Teresa, foi indiciada por gestão de instituição financeira irregular, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. Por falsidade ideológica, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro, foram indiciados Walfredo Dantas e Marcelo Aragão. O indiciamento de Thucydides Frota foi por falsidade ideológica e formação de quadrilha.

Duas outras “células” do “esquema Fernando Sarney” investigadas pela PF – cujos integrantes, entre os quais o ex-ministro de Minas e Energia Silas Rondeau, Astrogildo Quental (Eletrobrás) e Ulisses Assad (Valec), ainda não foram indiciados – se referem a tráfico de influência, licitações fraudulentas, cobrança de propinas, entre outros ilícitos, nas áreas de transportes e energia.

O quinto tomo do inquérito da polícia trata da quebra de sigilo funcional por parte de um agente federal, Aluísio Guimarães, que apurou e repassou informações confidenciais da PF a Fernando.

‘Lavanderia’ Sarney – Fernando Sarney, sua mulher Teresa e Luzia Campos são apontados pela PF como os “cabeças” de uma rede de lavagem de dinheiro constituída pelas empresas São Luís Factoring, Gráfica Escolar e TV Mirante. As duas primeiras estiveram envolvidas num saque suspeito de R$ 2 milhões, feito por Fernando Sarney em 2006, às vésperas do segundo turno da eleição para o governo maranhense, em que Roseana Sarney (então no PFL, atual DEM) perdeu para Jackson Lago (PDT).

Essa e outras operações esquisitas levaram os órgãos investigativos a concluir que a São Luís Factoring e Fomento Mercantil, que está em nome de Teresa Murad Sarney, Ana Clara Murad Sarney (filha de Fernando e Teresa) e João Odilon Soares, “fomenta” apenas o crescimento patrimonial da Mirante e da Gráfica Escolar, empresas com as quais opera quase exclusivamente. “A São Luís Factoring constitui-se em ‘empresa de fachada’, sem sede própria ou empregados, servindo apenas para sonegação de tributos e dissimulação de negócios escusos das demais empresas pertencentes ao grupo criminoso”, analisou o Ministério Público Federal. E acrescentou: “Fernando e Teresa Sarney são os coordenadores do esquema criminoso. João Odilon Soares é quem administra e organiza, juntamente com Luzia de Jesus Campos de Sousa, toda a parte financeira da factoring”.

Irmã ‘laranja’ – Para a PF e o MPF, Luzia Campos de Sousa teve conhecimento e participou das atividades ilícitas do “esquema Fernando”. Os investigadores descobriram que ela usou uma irmã – Maria Raimunda Campos Barbosa – como “laranja” do grupo. Moradora de uma casa simples num dos bairros mais pobres de São Luís, a Cidade Operária, Maria Raimunda foi beneficiada com 23 cheques nominais da São Luís Factoring, totalizando mais de R$ 350 mil, todos sacados em espécie na boca do caixa do Bradesco (agência 1037, São Francisco).

Segundo os delegados federais Márcio Adriano Anselmo e Thiago Monjardim Santos, a São Luís Factoring serve também como “um grande caixa para as movimentações pessoais de membros da família [Sarney]”. O inquérito da PF relata: “Vale frisar que Fernando Sarney se utiliza de Luzia de Jesus Campos de Sousa para fazer pagamentos para os filhos. (...) Cabe mencionar que todos tiveram o sigilo fiscal e bancário quebrados e foi constatada movimentação, por exemplo, de Paula Renata [Pessoa de Torres Câmara Araújo Sarney], em que pese tenha apresentado Declaração Anual de Isento, em 2006, a mesma movimentou [nesse ano] quase R$ 150 mil, chegando a movimentar em conta corrente, num só mês, mais de R$ 24 mil. No que tange a Fernando Sarney, não há em suas DIRPF [Declaração de Imposto de Renda de Pessoa Física] declaração dos mesmos [filhos] como seus dependentes.”

Marafolia – A “farra” dos Sarney com o Marafolia foi o que levou a PF a indiciar Marcelo Aragão, Thucydides Barbosa Frota e Walfredo Dantas de Araújo. Marcelo é uma espécie de diretor de marketing do evento. Os dois últimos são considerados pela PF “laranjas” de Fernando e Teresa Sarney na empresa Central de Eventos, que promove o Marafolia e outras atrações que se instalam periodicamente em São Luís, como o Circo da China.

Descreve o MPF em seu relatório que o empreendimento Marafolia “foi constituído com a ocultação dos verdadeiros sócios [Fernando Sarney e Teresa Murad Sarney] e teve a interposição de ‘laranjas’, quais sejam: Dulce Marieta Britto Freire, Roberto Wagner Gurgel Dantas, Walfredo Dantas de Araújo e Thucydides Barbosa Frota”. O MPF apurou que, com exceção de Thucydides Frota, os outros “sócios” do Marafolia não possuem patrimônio nem condições financeiras compatíveis com a dimensão e os lucros do empreendimento”.

Além de figurarem como sócios em lugar dos verdadeiros gestores (Fernando e Teresa), os “laranjas” do Marafolia também “emprestam” suas contas para a realização de operações financeiras para o grupo. “Foi possível verificar grande quantidade de operações bancárias (saques e depósitos) realizadas em espécie, fato que demonstra claramente o intuito de se evitar a identificação das pessoas que realmente administram as finanças do empreendimento”, relata o MPF.

Outro fato que soou estranho ao MPF foi a negociação de patrocínios para eventos artísticos da Mirante, tanto do Marafolia como de outros. Escutas telefônicas da PF captaram conversas entre Fernando Sarney e os coordenadores dos eventos, nas quais fica claro que os valores recebidos por patrocinadores – grandes empresas, como a Abyara e a Vale – superam em muito os referentes aos custos de realização do evento. “Quanto nós estamos pedindo lá na Vale?”, pergunta Fernando Sarney a um dos coordenadores de eventos da Mirante, de nome Márcio. Fernando estava interessado num patrocínio da Abyara para o Circo da China. Márcio responde: “Estamos pedindo na Vale R$ 500 mil, fechado, mas o valor do projeto mesmo é R$ 200 mil”.

Nessa área de “entretenimento”, a empresa Clube Jamaica Brasileira, localizado no retorno da Forquilha, cuja “proprietária visível” é Dulce Marieta Britto Freire, também despertou suspeitas do MPF. Entre 2005 e 2006, o clube movimentou quantia superior a R$ 4 milhões, apesar de funcionar esporadicamente e cobrar ingressos a preços módicos, uma vez que é frequentado pela parcela mais carente da população de São Luís. “Não é demasiado inferir que é possível que tal empresa [Clube Jamaica Brasileira] também tenha sido utilizada pelo grupo para movimentar legalmente valores espúrios”, deduz o MPF.

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