Monitor das Fraudes - O primeiro site lusófono sobre combate a fraudes, lavagem de dinheiro e corrupção
Monitor das Fraudes

>> Visite o resto do site e leia nossas matérias <<

CLIPPING DE NOTÍCIAS


Acompanhe nosso Twitter

17/07/2009 - Diário de Cuiabá Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

‘Escritório’ articulava fraudes

Por: Juliana Scardua


Investigações feitas pela Delegacia Fazendária já desvendaram que dois dos supostos fornecedores de produtos à Câmara de Cuiabá, alvos da Operação Crepúsculo, são meros auxiliares de um escritório de advocacia e assessoria contábil da Capital. A firma é comandada pelo advogado e contador Marcos Davi Andrade, apontado como um dos articuladores da fraude liderada pelo ex-presidente do Legislativo municipal e vereador Lutero Ponce (PMDB) e que teria desviado R$ 7,5 milhões dos cofres públicos. Juntos, os dois Office-boys ‘forneceram’ mais de R$ 225 mil à Câmara em 2008.

Michel Padilha da Silva e Jones Teixeira Barbosa foram contratados em 2006 pela Athus Consultoria e Assessoria Empresarial, de propriedade de Marcos Andrade, como Office-boys e até o deflagrar da operação policial, no começo do mês, trabalhavam na função de auxiliares gerais. Os dois são de famílias pobres da Capital e teriam se disponibilizado a ceder os próprios nomes para a abertura de duas das empresas que venceram licitações da Câmara no exercício de 2008.

A M. Padilha, de ‘propriedade’ de Michel, foi o destino oficial de um montante de R$ 75.816,96 entre os gastos da Câmara efetuados no ano passado, destinado à aquisição de materiais de consumo para copa. Já a empresa ‘comandada’ por Jones Teixeira Barbosa, de mesmo nome, foi a vencedora de duas licitações, com um orçamento de R$ 76.972,25 em materiais de consumo de copa e R$ 74.798,81 para a aquisição de materiais de expediente. Essas três licitações estão no universo de 38 certames realizados pelo Legislativo cuiabano no ano passado, cujos serviços e produtos contratados consumiram cerca de R$ 2,5 milhões.

A Delegacia Fazendária não teria detectado nenhum indício de que Michel e Jones tenham se beneficiado financeiramente do esquema. As apurações dariam conta, ao menos inicialmente, de que a única ‘contrapartida’ seria a da própria manutenção dos empregos no escritório de Marcos Davi Andrade. Conforme as investigações, o advogado e contador seria justamente o responsável por abrir as empresas de que Hélio Hudson de Oliveira Ramos, ex-assessor jurídico de Lutero Ponce na Câmara, necessitava no desenrolar da suposta fraude. Hélio Hudson é apontado pela Polícia Civil como o segundo ‘cabeça’ no lotacionograma do esquema, abaixo apenas do vereador.

Sem saber se tratar de uma equipe de reportagem, uma funcionária da Athus Consultoria e Assessoria Contábil confirma que ali trabalham Michel Padilha da Silva e Jones Teixeira Barbosa. Porém, ela não esconde o constrangimento diante da pergunta e informa que os dois não estão e que ao menos Jones está há dias ‘viajando’. Na realidade, os dois são considerados foragidos da polícia desde o dia 29 de junho, quando foi deflagrada a Operação Crepúsculo. Ao todo, 11 mandados de prisão foram expedidos, um deles contra Lutero Ponce, que conseguiu um habeas corpus junto à Justiça da Capital.

Procurado pela reportagem, Marcos Davi Andrade deu uma resposta completamente diferente da informação prestada pela funcionária. Perguntado se é o empregador de Michel e Jones, se os conhece ou se já os viu antes, as respostas do advogado são monossilábicas e repetitivas: “Não”, insiste a dizer três vezes.

Reportagem publicada este mês pelo Diário já revelava que é numa casa humilde do Pedregal, bairro pobre da Capital, o endereço oficial da empresa M. Padilha da Silva. O dono oficial da firma, Michel, teria sido visto por parentes e vizinhos pela última vez no dia 28 de junho, um dia antes de policiais irem à caça de acusados de integrar a suposta fraude, de posse de vários mandados de prisão.

Em outro endereço conferido in loco pela reportagem não há nem vestígios de que ali funcionou uma das empresas fornecedoras da Câmara durante a gestão de Lutero. Vizinhos relatam que há quase um ano o ponto comercial instalado na Rua Sergipe, no bairro Jardim Paulista, endereço oficial da empresa de Jones Teixeira Barbosa, teria fechado as portas. A fachada do ponto comercial indica que no local funcionava um açougue.

Página principal do Clipping   Escreva um Comentário   Enviar Notícia por e-mail a um Amigo
Notícia lida 518 vezes




Comentários


Nenhum comentário até o momento

Seja o primeiro a escrever um Comentário


O artigo aqui reproduzido é de exclusiva responsabilidade do relativo autor e/ou do órgão de imprensa que o publicou (indicados na topo da página) e que detém todos os direitos. Os comentários publicados são de exclusiva responsabilidade dos respectivos autores. O site "Monitor das Fraudes" e seus administradores, autores e demais colaboradores, não avalizam as informações contidas neste artigo e/ou nos comentários publicados, nem se responsabilizam por elas.


Patrocínios




NSC / LSI
Copyright © 1999-2016 - Todos os direitos reservados. Eventos | Humor | Mapa do Site | Contatos | Aviso Legal | Principal