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19/06/2009 - UOL Notícias / Le Monde Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

África do Sul também tem o seu Madoff

Por: Sébastien Hervieu


Em Johannesburgo (África do Sul). Foi quando seu banco lhe telefonou, em 29 de maio, que Howard Lowenthal caiu em si: "Eles não conseguiam descontar o cheque de Barry Tannenbaum", conta esse contador sul-africano. "Tudo bem, o lucro que ele me garantia era alto, mas eu não tinha nenhuma razão para me preocupar, é um amigo, um cara legal de boa reputação", ele diz, hoje se admitindo "muito decepcionado".

Credor de 90 mil euros, ele faz parte das vítimas do empresário sul-africano Barry Tannenbaum, que pode ser o autor da maior fraude da história do país. Divulgada pela imprensa local, essa trapaça diria respeito a um montante de cerca de 10 a 15 bilhões de rands (R$ 2,46 a R$ 3,56 bilhões). "Cerca de 400 pessoas foram lesadas, sobretudo na África do Sul, mas também nos Estados Unidos, na Austrália e na Europa", afirma Eric Levenstein, do escritório de advocacia Werksmans, que representa seis vítimas.

Barry Tannenbaum importava componentes farmacêuticos do exterior antes de revendê-los para fabricantes de medicamentos genéricos locais, principalmente antirretrovirais destinados a pacientes com Aids. Em vez de emprestar dinheiro de bancos, o homem de 43 anos apelava a investidores privados, oferecendo-lhes a possibilidade, aparentemente com a ajuda de dois advogados de Johannesburgo, de obter pagamentos de juros da ordem de 15% a 20% no final de três meses. Na data de vencimento, o credor poderia escolher entre recuperar seu dinheiro ou reinvesti-lo.

Esquema Ponzi

Filho do fundador de uma grande empresa farmacêutica nacional, ele teria utilizado o mesmo esquema que o financista americano Bernard Madoff, preso no fim de 2008; ou seja, um Esquema Ponzi, que funciona segundo o princípio de "despir um santo para vestir outro". O dinheiro recém-entregue pelos novos investidores serviu assim para pagar os ganhos dos credores mais antigos. Uma revista sul-africana menciona o caso de uma rentabilidade de investimento de 216% em um ano.

A empresa de Tannenbaum era bem real, mas este teria falsificado encomendas de empresas farmacêuticas para inflá-las, e tranquilizar seus investidores sobre a viabilidade do projeto durante atrasos de pagamento. Mas a bolha especulativa acabou estourando há algumas semanas, quando muitos credores, atingidos pela crise, decidiram se desligar em massa.

Grandes nomes do meio dos negócios sul-africano foram enganados. "É muito preocupante constatar que a ganância excessiva, alimentada por um forte apetite pelo risco passou por cima do discernimento diante dessa operação tão duvidosa", comenta Adrian Lackay, porta-voz dos serviços fiscais sul-africanos (Sars). Três dias após a abertura de uma investigação pelas autoridades judiciárias e policiais do país, um juiz sul-africano nomeou, na quarta-feira (17), três administradores para controlar as possíveis "penhoras de ativos" de Tannenbaum.

Em Sydney, onde reside, ele negou as acusações que ele considera "extremas", e alegou uma situação econômica difícil para explicar suas dificuldades de pagamento. As agências de regulamentação do país também podem ser incriminadas. Um relatório bancário sobre movimentações de fundos suspeitos teria sido redigido em 2007.

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