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18/05/2009 - O Globo Online / Blog Brasil com Z Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Pirâmide da ‘Elite’ encontra campo fértil entre brasucas

Por: Eduardo de Oliveira


Nos últimos dias, a voz da auxiliar de enfermagem Francisca está apressada e rouca de tanto falar no telefone. Tempo é dinheiro, diz ela, que alega ter uma “oportunidade de negócio imperdível.”

Trata-se da "Elite Activity Resurrected,” um esquema criado em 2001 por Harvey J. Dockstader Jr., o líder de uma seita no Texas, que até 2007 jurava não se tratar de pirâmide, mas de “sistema legal para presentear.”

“Na verdade, a Elite é um negócio entre amigos. O que te garante que a bolsa não vai quebrar amanhã?,” me disse um jornalista brasileiro que entrou no negócio.

O esquema funciona mais ou menos assim:
Uma pessoa é convidada a participar de um “círculo,” depositando US$ 100 na conta brancária de um estranho. Ela deve introduzir mais duas pessoas. O círculo se fecha com 8 pessoas, quando cada convidado recebe entre US$ 350 e 800. Aí começa-se o novo ciclo, onde cada um contribui US$ 250, depois 500, 1 mil, 2 mil, 4 mil e 6 mil.

Os argumentos em defesa do esquema são:
Não é ilegal fazer doação monetária, o sistema não tem a estutura horizontal das pirâmides, mas circular e estabelecida em células.

Mas, segundo o "Security and Exchanges Commission," órgão federal que investiga fraudes financeiras, para se identificar uma pirâmide basta observar duas regras. 1) Todo investimento em uma empresa superior a US$ 199, em troca de emprego ou retorno, é ilegal; 2) E todo investimento em empresa tem que ser feito na forma de compra de produtos ou serviços.

A “Elite Ressuscitada” não vende produtos. Mas cada participante ganha uma página exclusiva na Internet, pela qual, segundo Francisca, paga mensalidade de US$ 16 a 24.

“Ih, você está me fazendo muita pergunta. Quem pergunta perde tempo, os ricos são ricos porque arriscam,” me disse Francisca, impaciente.

“A lei de Deus é que todos tenham abundância,” acrescentou ela.

Aqui está o detalhe mais sórdido:
O site da “Elite” diz que o “sistema de presentear” segue conceito bíblico. O slogan da página é “a pobreza é o nosso adversário.” Mas não acreditem só no que eu digo. Vejam a opinião pessoal de um pastor.

“Usando falsamente uma palavra de Jesus, “dai e dar-se-vos-á...”, como se a palavra DEle fosse uma mágica, formou-se um grande esquema virtual de recebimento de doações, segundo o princípio antigo conhecido da “pirâmide”, onde o doador deve além de fazer sua doação, colocar seus parentes, amigos, etc,” disse Josimar Salum, pastor e diretor executivo da Brazilian Ministers Network.

Para Salum, a ‘Elite’ é, na verdade, “uma comunidade virtual de fé anti-cristã, anti-bíblica e totalmente falsa, pois promete o que nunca poderão cumprir sem Jesus.”

Para mim, Francisca se mostrou animada, disse que após 5 dias no esquema já tinha ganho muito dinheiro, e que conheceu “gente lá na Florida que em 6 dias recebeu US$ 16 mil na conta.”

O que talvez Francisca não saiba é que em 2006 jurados condenaram Harvey J. Dockstader Jr., o fundador da “Elite,” a 2 anos de cadeia e mais multa de US$ 10 mil por montar uma pirâmide. E em julho de 2007 a 14ª Corte de Apelações no Texas negou pedido de novo julgamento. E mais, a Corte disse que todos aqueles que promoverem o esquema também podem ser condenados e presos.

Como há entre os participantes a troca de cheques, com endereço e tudo, seria fácil reconhecer os membros dessa “elite.”

Não me impressiona mais o campo fértil que os esquemas de pirâmide encontram na comunidade brasileira. Em apenas três meses em 2005, o conhecido FoneClub atraiu 1.183 brasileiros que contibuiram US$ 1,1 milhões. Mais recentemente a “Mesa da Fé” recompensou os primeiros espertinhos e penalizou os últimos.

“Toda a participação nestes esquemas de promessas financeiras é resultado desta cobiça enlouquecida de se enriquecer sem o trabalho, a semeadura no Reino de Deus, a a obediência na entrega de dízimos e ofertas e sem a bênção de Deus,” disse Salum.

E você, leitor, acha que o brasileiro é presa fácil ou, na verdade, não tem receio e nem pudor de prejudicar alguém em nome do ganho fácil?

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