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13/06/2009 - IstoÉ Dinheiro Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Sete meses após o escândalo nos EUA, as vítimas da fraude de US$ 65 bilhões tentam recomeçar suas vidas.

Por: Ana Clara Costa


Ronnie Sue Ambrosino, 55 anos, americana do Estado da Flórida, fez tudo certo. Trabalhou durante 30 anos como analista de sistemas, pagou seus impostos corretamente e economizou junto com seu marido, Dominic, US$ 1,6 milhão para desfrutar uma aposentadoria tranquila. A escritora-socialite Alexandra Penney, também. Foi abandonada pelo marido há 40 anos e mal tinha dinheiro para sustentar seu filho pequeno, David. Nos idos de 1980, conseguiu emplacar na editora do The New York Times um livro de autoajuda para mulheres que virou best-seller. A partir daí, sua carreira deslanchou e Alexandra passou de mulher desprezada a feminista bemsucedida e milionária. O italiano Guccio Gilardini, 57 anos, seguiu a mesma linha. Empresário de família rica, sempre gostou de diversificar suas aplicações e executar a cartilha do bom investidor. As três histórias se uniram em uma fria manhã de dezembro, quando o FBI adentrou a sede da Bernard Madoff Securities, em Manhattan, e levou Bernie Maddoff, ex-presidente da Nasdaq, para a prisão. Sete mil vítimas perderam um total de US$ 65 bilhões, segundo os últimos levantamentos da SEC (a CVM americana). Entre elas, Ronnie, Alexandra e Gilardini. Hoje, sete meses depois, Madoff experimenta o dolce far niente perpétuo em uma cadeia ao sul de Manhattan e suas vítimas tentam reconstruir suas vidas com a mesma lentidão e paciência que o ex-figurão de Wall Street teve para levantar sua pirâmide.

Ronnie perdeu tudo o que possuía. Ela e seu marido feriram a regra número 1 do mercado financeiro e não diversificaram. Colocaram tudo nos fundos fantasmas de Madoff, inclusive o dinheiro da venda de uma casa. “Nossas economias de 30 anos de trabalho estavam com ele”, afirmou Ronnie à DINHEIRO. O casal estava aposentado havia quatro anos e meio e costumava explorar os Estados Unidos a bordo de um trailer. “Jamais imaginamos que um absurdo assim pudesse acontecer, pois se tratava de um ícone de Wall Street”, conta a analista. Após perder tudo, o casal Ambrosino teve que voltar a trabalhar em tempo integral para conseguir sobreviver. Não saem para jantar fora, não compram roupas nem podem se dar ao luxo de colocar diesel no trailer para viajar. Ronnie ainda administra um grupo de vítimas que luta para conseguir seus investimentos de volta. “Quase não vejo meu marido, pois ele trabalha dez horas por dia e seis dias por semana para conseguir algum dinheiro. E perdemos qualquer segurança financeira. Se precisarmos de cuidados médicos, não há dinheiro”, desabafa.

Outras histórias são menos tristes e chegam a ser até mesmo irônicas, como a da escritora norte-americana Alexandra Penney, amiga de celebridades como o cantor Tony Bennett. Consagrada por best-sellers de autoajuda do estilo Como Manter Seu Homem Fiel (Ed. Record/esgotado), ela vivia confortavelmente em seu apartamento no Upper East Side, em Nova York, quando ficou sabendo da fraude. “Minha primeira reação foi tomar um Tylenol e entrar em contato com a Hemlock Society para saber qual era a forma mais indolor de morrer”, afirmou Alexandra com certo humor negro em seu blog no site Daily Beast, no qual descreve sua rotina pós-Madoff. O blog da escritora virou motivo de piada e revolta na opinião pública pelo teor esnobe que exalava. “Terei que vender minha chácara em West Palm Beach imediatamente e despedir a Yolanda (sua empregada). Cancelarei minhas assinaturas de jornais e revistas e lerei tudo online. Além disso, terei que parar de pegar táxi. E como poderei manter a cor do meu cabelo sem dinheiro? E como farei sozinha minha própria pedicure?”, eram os questionamentos de Alexandra em seu primeiro texto no blog, publicado dias após o escândalo. Procurada pela DINHEIRO, a escritora afirmou que viajaria para a China para descansar e que não poderia dar entrevistas. Semanas depois, após o retorno, continuou declinando o pedido. “Agora tenho que trabalhar no meu próximo livro.

Na Europa, alguns dos investidores captados pelos bancos locais e escritórios do Fairfield Greenwich Group agiram com mais parcimônia e, apesar do prejuízo, não perderam tudo. O empresário italiano Guccio Gilardini sabiamente acabou investindo apenas uma pequena parcela de seu patrimônio em um dos fundos que alimentavam o esquema de Madoff. “Comecei a investir em outubro de 2008 e felizmente não cheguei a recomendá- lo para ninguém”, afirma Gilardini. “Primeiro, não acreditei. Depois, me senti frustrado e com muita raiva”, afirmou.

As vítimas Madoff culpam a SEC (a CVM americana) por negligência e acreditam que ela ou o próprio governo americano deveriam ressarci-los. “O trabalho da SEC era prevenir esse tipo de coisa. Eles tinham informações sobre os investimentos de Madoff desde antes de 1992. Se tivessem atuado de acordo com as regras, teriam salvado milhares de pessoas da humilhação e da devastação”, queixase Ronnie.

As investigações prosseguem e até o momento não há sinal de qualquer recuperação relevante do dinheiro. Somente US$ 830 milhões em bens de Madoff foram levantados. Enquanto esperam, os investidores não podem fazer muito. Organizam-se, criam grupos e tentam mobilizar a sociedade para despertar o mínimo sentido de urgência nas autoridades. Mas os efeitos disso ainda são muito tênues e a desesperança prevalece para vítimas como Ronnie: “Mais do que o prejuízo, perdemos também a confiança. Não acredito que o governo nos protegerá. Nós fizemos tudo certo e agora não temos mais nada”.

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