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10/06/2009 - Expresso Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

PJ investiga quadros falsos

Por: Valdemar Cruz

Obras falsificadas de Costa Pinheiro, Lapa e René Bertholo valeram cancelamento de leilão.

São falsos", diz o pintor Costa Pinheiro. "São tão verdadeiros que alguns até foram comprados a uma familiar do pintor", contrapõe António Cabecinha, da galeria Nasoni. "São falsos e apresentámos queixa", diz o advogado das famílias de René Bertholo e Álvaro Lapa. "São verdadeiros e até há certificados", garante Cabecinha. "São suspeitos", diz o responsável da leiloeira Sala Branca, "e por isso foram retirados e anuladas as vendas". A Polícia Judiciária está a investigar para deslindar este novelo da circulação no mercado de quadros falsos atribuídos, entre outros, a Costa Pinheiro, ainda vivo, e aos já falecidos René Bertholo e Álvaro Lapa.

O último episódio público desta história ocorreu no passado dia 18, quando a PJ, por solicitação de Helma Voss Hellwig, viúva de René Bertholo, e de um filho de Álvaro Lapa, apreendeu na leiloeira Sala Branca, antes de começar o leilão programado para uma sala do Centro Cultural de Belém, três quadros daqueles dois pintores, oriundos da Nasoni, do Porto. Na altura a leiloeira vendeu um quadro atribuído a Costa Pinheiro, mas anulou a venda dadas as dúvidas suscitadas pelas obras oriundas daquela galeria.

Os rumores, porém, já vêm de longe. Pelo menos desde que quadros do pintor Costa Pinheiro, um dos nomes maiores da arte contemporânea portuguesa da segunda metade do século XX, foram propostos ao Finibanco pela galeria Nasoni, inseridos num lote de várias outras obras, revelou o próprio pintor ao Expresso. Uma outra informação indicava que os quadros teriam sido entregues para pagamento de uma dívida bancária. O banco não confirma e diz apenas não ter como prática "a recepção de qualquer obra de arte como forma de pagamento de dívidas dos nossos clientes".

Segundo Costa Pinheiro, numa altura em que teve de se deslocar ao Porto para ser submetido a diversos tratamentos, responsáveis do Finibanco solicitaram-lhe, através do galerista que o representa, Fernando Santos, que atestasse a autenticidade, ou não, das obras que mantinham em depósito com a suposta assinatura do pintor. Ao ver os quadros com dimensões nunca superiores a 60x60 cm e com temas comuns à sua obra, intitulados, datados e assinados, Costa Pinheiro não teve dúvidas em declará-los falsos, até porque, diz agora ao Expresso, se "limitam a fazer um apanhado em ponto pequeno do original. São quadros com técnicas estranhas para mim, como o papel colado sobre tela, uma coisa que nunca fiz na vida". Como parece estar a haver alguma dificuldade na circulação da informação no mundo da arte contemporânea, fica a ideia de que acabou por ser o Expresso a revelar ao responsável pela Sala Branca, Pedro Mesquita Cunha, que tinha em seu poder um Costa Pinheiro falso. "Não sabia, é uma novidade que me está a dar", garantiu. O mesmo aconteceu com António Cabecinha que, segundo assegurou "sob palavra de honra", nunca até ao nosso contacto alguém o questionara sobre a autenticidade dos quadros que se propunha vender. Mesquita Cunha diz ter "anulado todas as vendas de todos os lotes" oriundos da galeria Nasoni dadas as dúvidas suscitadas. Confrontado com estas acusações, nomeadamente o episódio do Finibanco, António Cabecinha assegurou estar perante "uma novidade, até porque um dos quadros foi comprado a uma familiar do pintor. "Nunca ninguém me disse nada e estranho que o artista, se detectou um conjunto de quadros que considera falsos, não tenha tomado nenhuma providência para acautelar a sua obra". De resto, acrescenta, "a relação com o Finibanco mantém-se e ainda agora lá está mais um lote de quadros para decidirem se compram ou não".

Costa Pinheiro confirma que nada fez na altura por se encontrar "muito em baixo e muito afectado pela doença. Aquilo aconteceu numa fase muito crítica que atravessei naquele período". Entretanto já deu conta das suas apreensões na PJ de Faro.

Todos os intervenientes destas histórias cruzadas se revelam incomodados com a situação. Costa Pinheiro pela manipulação abusiva da sua obra. Pedro Mesquita Cunha pela "má imagem dada à leiloeira". António Cabecinha por em 23 anos de actividade "nunca ter tido uma situação como esta. Não andei a comprar os quadros na rua. Comprei-os a pessoas e entidades credíveis, todas identificadas". José Delgado Martins, o advogado das famílias de Bertholo e Lapa que fez o contacto directo com a PJ e participou contra incertos, referiu ao Expresso que há um outro pintor ainda vivo de quem estão a aparecer quadros falsos. De Bertholo, assegura, "há já quatro falsos identificados e de Lapa supõe-se que são dezenas". O advogado revela-se preocupado pela existência de "algumas falsificações muito boas de quadros de Bertholo, que têm de ser levadas muito a sério". Esse é, porém, "um assunto para a polícia deslindar", conclui.

Três perguntas a Costa Pinheiro, Pintor

Quando soube da falsificação das suas obras?
O ano passado durante uma deslocação ao Porto. Agora, quando vi o catálogo do leilão de Lisboa fiquei espantado porque vi obras que pareciam ter validade de existência, e afinal eram falsas.

Quando detectou os quadros no Porto o que fez?
Na altura não fiz nada porque estava doente. Mais tarde denunciei a situação na PJ de Faro.

Há outros quadros que lhe sejam falsamente atribuídos?
Até o meu "D. Sebastião", que está em exposição na Câmara de Tomar, falsificaram. É um quadro que marca uma época e por si só, como obra, criou uma iconografia. O falso, como foi detectado e é uma obra com um valor muito elevado, desapareceu de circulação. Também já apareceram em Lisboa umas três ou quatro obras falsas. A pessoa que falsifica é um corpo estranho para mim, porque entrou no meu imaginário. Vem roubar-me e isso entristece-me.

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