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16/01/2006 - Gazeta do Oeste Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Usava nome de pessoas mortas em acidentes... E agora juntou-se a elas!


No dia 26 de dezembro de 2005, o automóvel Fiat Uno, modelo 2005/2006, de placa HCW-6042, de Contagem, envolveu-se num grave acidente na MG-050. O carro estava registrado em nome de Valmir Dias Lacerda, residente em Santo Antônio do Monte. O acidente aconteceu no município de São Sebastião do Oeste, tudo indica que a vítima fazia o percurso Santo Antônio do Monte/ Divinópolis. A vítima foi identificada inicialmente como Múcio Antônio de Melo Campos, natural de Santo Antônio do Monte.

A Polícia Rodoviária tomou as providências de praxe, também as Polícias Militar e Civil de Santo Antônio do Monte ficaram cientes do fato. Nos primeiros momentos, nada de anormal foi percebido. Porém, quando os policiais foram comunicar o fato aos familiares de Valmir, tiveram uma surpresa. Múcio Antônio de Melo Campos faleceu em 06 de setembro de 1996. Também Valmir Dias Lacerda, também natural de Santo Antônio do Monte, faleceu a mais 13 anos, em 20 de novembro de 1992.

Tudo isso fez com que o delegado da Polícia Civil de Santo Antônio do Monte, Ivan José Lopes e os detetives daquela delegacia investigasse mais o caso. E com isso, naquela delegacia foram registrados fatos curiosos.

A mãe de Múcio, que afirmava que o filho havia morrido em 1996, passou pela mesma angústia de reconhecer o corpo de um homem que sabia não ser o seu filho. Outra situação desagradável foi saber que mesmo depois de morto, o nome do filho estava envolvido com compras irregulares, feitas com cheques fraudulentos.


Exímio estelionatário

A equipe do delegado Ivan Lopes descobriu que na verdade, a vítima do acidente era Rafael Garcia da Silva, 38 anos, nascido em Formiga - MG. Atualmente, Rafael residia em Contagem, mas já morou em Santo Antônio do Monte, onde ainda têm parentes. Através destes familiares, os detetives foram montando um verdadeiro quebra-cabeça, onde ficou claro que para agir com tanta habilidade e nunca ter sido descoberto, o estelionatário contava com a ajuda de algum experiente colaborador ou fazia parte de uma quadrilha especializada neste tipo de fraude.

Rafael abriu várias contas em bancos, fez compras em várias cidades sempre usando nomes de pessoas falecidas. De acordo com o delegado Ivan Lopes, Rafael usou os nomes de Silvano do Rosário Borges, nascido em Santo Antônio do Monte e falecido em 1998. Também usou documentos de Márcio Antônio Bernardes, da mesma cidade e que morreu em 1990.

O estelionatário usou outros nomes, como as carteiras de identidade em nome de Leoni Martins Pereira e Magnei de Andrade Martins, naturais de Coronel Fabriciano-MG. Ainda não se sabe se estas duas pessoas estão vivas ou já morreram.


Empresa em Divinópolis

Sempre usando nomes falsos, Rafael Garcia da Silva, provável nome verdadeiro do homem que morreu no acidente, tinha uma vida bastante agitada. Ele, ou seja, Leoni Martins Pereira, registrou aqui a empresa Transporte e Comércio Carreira Ltda. Tinha como sócia minoritária Marcela Portilho de Oliveira, ambos moradores em Divinópolis. A Polícia suspeita que tanto Leoni quanto Marcela sejam falecidos. Com o CNPJ desta empresa, Leoni e a sócia abriram contas em bancos de várias cidades, como Divinópolis. Aqui, Rafael abriu conta em nome de Magnei de Andrade Martins. Em Itaúna, usou o nome do falecido Márcio Antônio Bernardes. Em Ilicínea, abriu conta em nome do falecido Silvano do Rosário Borges.

Rafael Garcia financiou ainda, dois carros. Um Fiat Uno de placas GWD-2350, registrado na cidade de Ilicínia - MG, em nome de Silvano do Rosário Borges. Também adquiriu outro Fiat Uno, desta vez de placas HCW-6042, registrado em Contagem, em nome de Valmir Dias Lacerda.

Outra especialidade de Garcia era comprar produtos e maquinário agrícola. Comprou um sofisticado maquinário da loja "Armelo" de Formiga. O equipamento custou cerca de R$12.000,00 e a empresa fez a entrega em Boa Esperança - Minas. Também comprou uma carga de madeira em Martinho Campos - MG, no valor de R$15.000,00. Tudo foi comprado com cheques falsos em nome de Silvano do Rosário Borges. Outra descoberta dos detetives foi que Rafael usava sempre a segunda via de carteiras de identidades com fotografias adulteradas.

A carteiras foram emitidas em Timóteo - MG e investiga-se a possibilidade de Rafael ter contado com a ajuda de uma pessoa experiente daquela cidade.


Punir a quem?

O detetive Sidney Serapião, que participou das investigações, disse à reportagem que as pessoas devem tomar alguns cuidados para que tais fatos não voltem a acontecer. "Quando uma pessoa da família morre, os parentes devem tomar a iniciativa de dar baixa em todos os documentos para evitar a ação deste tipo de aproveitadores", aconselha o policial.

O delegado disse que passou por situações tristes e inéditas, quando familiares souberam que os nomes de seus entes queridos estavam sendo usados por fraudadores pediram a ele para que fizesse alguma coisa em favor das vítimas e contra o estelionatário. Mas nada poderia ser feito. "Infelizmente, não podemos fazer nada, pois tanto as vítimas quanto o autor estão mortos. O falsário que sempre usava nome de pessoas mortas em acidente foi juntar-se a elas", disse.

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