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13/05/2009 - Folha de São Paulo Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Pirâmide financeira de R$ 2 bi da "Madoff brasileira" ruiu com a crise, diz PF

Por: Ygor Salles


A Operação "M", deflagrada na manhã de hoje pela Polícia Federal no Rio Grande do Sul, foi causada pela crise financeira. Na ação, a PF desarticulou uma quadrilha que montou uma pirâmide financeira no Estado ao longo de cinco anos -o valor pode chegar a R$ 2 bilhões.

Situação parecida viveu o financista americano Bernard Madoff, 70, que em dezembro do ano passado foi preso por comandar uma pirâmide financeira que pode ter chegado a US$ 65 bilhões -trata-se da maior fraude financeira da história. Seu esquema quebrou após os clientes tentarem fazer os resgates e não conseguirem. A fraude de Madoff foi a inspiração para o nome da operação da PF ("M").

Alguns investidores preferiram se retrair diante do cenário ruim no mercado financeiro e tentaram resgatar os recursos que tinham aplicado na pirâmide, mas não conseguiam. Em fevereiro deste ano, um dos investidores lesados denunciou o esquema para a PF, que a partir daí iniciou as investigações.

Segundo a PF, uma mulher com experiência no mercado financeiro comandava o esquema. Ela era a responsável pela captação dos recursos, feita de forma ilegal porque não possuía autorização do Banco Central para operar como uma instituição financeira.

O principal problema da pirâmide financeira é que, no caso do número de clientes do esquema se estabilizar ou recuar, ela entra em colapso porque há mais saques do que depósitos. Neste caso, quem participa dela acaba ficando sem os recursos.

O esquema no Rio Grande do Sul começou a ser montado há cerca de cinco anos, baseado na promessa de rendimentos que variavam entre 3% e 8% ao mês -bem maiores do que os usualmente pagos pelas instituições financeiras.

"Há uma grande quantidade de pessoas lesadas na sociedade gaúcha, desde pequenos investidores que se desfizeram de bens e economias para realizar a aplicação até grandes empresas", informou a PF em comunicado.

Além do crime de operar instituição financeira sem autorização, os quatro suspeitos -a líder, mais uma mulher e dois homens- responderão ainda por formação de quadrilha, estelionato, evasão de divisas e lavagem de dinheiro. As penas somadas podem passar dos 30 anos de reclusão. Todos os mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão da operação foram cumpridos.

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