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06/05/2009 - Gazeta Mercantil / Investnews Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Crise revela valor do gerenciamento de risco

Por: Erich Schumann


6 de Maio de 2009 - Estamos presenciando a maior crise bancária desde a Grande Depressão. Os Estados Unidos e muitos países da Europa optaram pela nacionalização parcial, bem como a capitalização do sistema bancário. É certo que os próximos passos dos reguladores envolverão novas regulamentações e um acompanhamento mais próximo das decisões gerenciais.

Apesar de todos os esforços, o resultado da má gestão explodiu em 2008: bancos e empresas registraram enormes perdas e todo o sistema financeiro ficou à beira de um colapso. O Financial Times ressaltou há alguns meses: "é óbvio que houve imensas falhas de gerenciamento de risco por toda Wall Street". Mas essa reação está correta? Será mesmo que houve uma falha no processo de gerenciamento de risco e, portanto, ele precisa ser substituído ou aperfeiçoado?

Antes de responder a estas questões precisamos entender o que houve de errado. Com mais de 30% do PIB do mundo, os Estados Unidos acabam sendo o foco da atenção de todos que acompanham o que se passou e novos passos diante da crise. O sistema financeiro americano deveria ser respaldado por bons processos de governança corporativa, que seriam baseados em quatro pilares:

1) O Conselho de Diretores deveria gerenciar com foco na estratégia da empresa. Em outras palavras: fiscalizar as ações gerenciais olhando o objetivo do negócio.

2) De seu lado, a gerência executaria uma estratégia alinhada às regras definidas pelo Conselho.

3) Auditores deveriam monitorar todo esse processo. Periodicamente o gerenciamento de risco seria detalhado ao Conselho.

4) Reguladores deveriam se certificar de que as organizações adotam e cumprem as regras.

Cada um dos pilares acima tem uma parcela de culpa pela crise atual: conselho e gerência, motivados pela ganância, não se preocuparam em desenvolver um processo de monitoramento efetivo de risco; os auditores não detectaram esse problema e não focaram seu trabalho em questões relevantes. Os reguladores certamente não cumpriram sua missão: fiscalizar todo o processo.

Os Conselhos e as gerências operacionais dos bancos americanos montaram uma estratégia de trabalho com um objetivo muito claro: aumento do lucro com dois dígitos. Com isso, a governança e o gerenciamento de processos eram considerados "entraves" e não "facilitadores" para a obtenção da meta de aumento dos lucros. A previsão de que isso não daria certo indefinidamente é fácil. Mesmo que o Conselho tivesse aprovado tais operações e a gerência operacional as tivessem executado, por que será que os auditores não questionaram? Essas dúvidas teriam que ter vindo à tona. Houve muitos sinais de perigo.

Por último, mas não menos importante, há a questão dos reguladores. A indústria financeira é um dos setores mais regulamentados em todo o mundo. A Securities and Exchange Commission (SEC) parece uma poderosa agência regulamentadora nos Estados Unidos. Na prática é um "leão sem dentes", como foi visto, por exemplo, no caso da fraude de US$ 50 bilhões de Bernard Madoff.

Após essas considerações, alguém imagina que novas regras e regulamentações podem prevenir a próxima grande crise financeira? Duvido. Entretanto, não há dúvida de que é fundamental que haja um aprimoramento na estrutura de quatro pilares da governança corporativa.


Erich Schumann - CEO da Global Atlantic Partners LLC e professor adjunto de Governança e Ética da Brandeis University, Boston, USA

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