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04/05/2009 - Portal Terra Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Site chinês vendia falsos diplomas universitários da França

Por: Lúcia Jardim


Não satisfeitos com a falsificação de todo o tipo de produtos, agora os chineses também forjam e vendem, pela internet, diplomas de universidades tradicionais francesas. O esquema foi descoberto nesta semana pela Universidade de Toulon, uma das visadas pela rede de falsificadores, que ofereciam, por entre 120 e 1,3 mil euros, documentos de graduação e mestrado já traduzidos em chinês.

O jornal francês Le Fígaro divulgou o nome do site, france163.com, e tentou comprar um diploma de engenharia. Na reportagem publicada na última quinta-feira, a transação - feita em inglês por chat - mostra que os administradores do endereço não têm pudores em apresentar a gama de "produtos". "Que tal um diploma de mestrado em engenharia financeira da Universidade Paris VI? Custa mil euros e eu lhe entrego, em mãos, em três dias, onde quer que você esteja", afirma o administrador do site, hoje desativado. "Para um diploma francês, não é nada caro", insiste.

A negociação é interrompida quando o repórter questiona sobre os funcionamento do esquema. "Só aceito conversar sobre os assuntos relativos aos negócios", afirmou ao jornalista. O site - que, de acordo com o jornal, mostrava cópias de diplomas logo na página principal - dispunha inclusive de instrumentos de pagamento seguro por cartão de crédito.

Para membros dos quadros acadêmicos, o documento em si jamais seria válido na própria França, de tão grosseira que é a cópia. O diploma da Paris V-René Descartes, por exemplo, tem a falsificação das assinaturas do presidente da Paris IV-Sorbonne e de um ex-reitor que há anos não exerce mais a função.

No entanto, na China, ou mesmo apenas além da França, os falsos diplomas podem acabar convencendo, uma vez que não necessariamente a pessoa que o recebe verifica a sua autenticidade junto à instituição emissora. "Apesar de todo o aspecto grosseiro das falsificações, nós tememos que as conseqüências do uso destes diplomas nos cause prejuízos à imagem. O estabelecimento poderá pensar que foi a nossa universidade quem forneceu um documento a uma pessoa que não possui nem os conhecimentos e nem a competência desejados", disse o presidente da René Descartes, Axel Kahn, que prestou queixa policial sobre os acontecimentos.

Foi a Universidade de Toulon quem decidiu revelar à policia e ao jornal o nome do site chinês, depois de ter sido ela própria acusada de participar de um esquema de venda de diplomas, em um escândalo que eclodiu na semana passada a está sendo investigado pelo Ministério Público Federal francês.

Para se defender, a instituição realizou uma enquete interna, descobriu o endereço chinês e alega que a fraude fora desenvolvida à revelia de seus diretores, embora a participação de funcionários seja provável, de acordo com as investigações até então divulgadas.

A falcatrua, no entanto, concerne uma série de outros estabelecimentos renomados do país, como as universidades Paris IV-Sorbonne, Paris V-René Descartes e Paris VII-Diderot, além de outras instituições localizadas no interior da França, como a Bordeaux IV e a Aix-Marseille I e II.

Com medo de que a história manche a boa imagem de credibilidade talhada ao longo de décadas, ou mesmo séculos, a maior parte delas se apressou em emitir comunicados públicos informando que não têm nenhuma relação com a ação dos chineses.

Em 2006, um estudo feito em parceria entre o Instituto de Pesquisas em Educação e o Instituto Nacional de Pesquisas Agronômicas, ambos franceses, já revelava que, com a globalização, o mercado mundial de venda de diplomas havia registrado uma verdadeira explosão, num negócio que, na época, já movimentava 20 milhões de dólares ao ano.

Desde a última quarta-feira, o Ministério do Ensino Superior francês realiza investigações na China, através da embaixada do país, para tentar identificar e punir os responsáveis pelo site, em uma batalha que se promete longa.

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