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03/05/2009 - Diário de Canoas / Agência Estado Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Hábito do "clique aqui" eleva número de crimes virtuais

Cuidado com e-mails que tentam roubar suas informações para aplicar golpes.

São Paulo - Cena 1: você liga o computador e vê que um desconhecido lhe mandou de bandeja o e-mail com o vídeo erótico de uma BBB. Cena 2: no posto, o frentista leva o cartão de crédito até o caixa e diz que volta logo com o recibo da operação. Cena 3: no banco, o caixa eletrônico retém o seu cartão de débito. Cuidado! Essas são apenas três formas que criminosos inventaram para clonar cartões de débito e crédito ou "roubar" os seus dados durante uma transação eletrônica ou realizada pela internet.

"O brasileiro tem o péssimo hábito do ‘clique aqui’. A maioria vai abrindo arquivos que vêm em e-mail de pessoas de quem nunca ouviu falar e com vírus. Precisamos mudar essa cultura, porque a cada dia esses criminosos estão mais bem informados", afirma o delegado José Mariano de Araújo Filho, da Delegacia de Meios Eletrônicos, do Departamento de Investigações sobre Crime Organizado (Deic).

Na semana passada, Araújo Filho foi responsável pela prisão do analista de sistemas Anderson Carlos Ferreira, de 21 anos, um dos principais hackers do País. "A nossa nova filosofia é se antecipar e chegar aos criminosos antes que a vítima venha até nós para dar queixa, porque a dinâmica do crime virtual é muito rápida", diz o delegado. Prova disso é o relatório Ameaças à Segurança na Internet, divulgado na segunda quinzena do mês passado, elaborado pela Symantec Corp. - empresa de soluções de segurança em informática ligada a fabricante de antivírus.

O documento revela que, no ano passado, foram registrados 1,6 bilhão de códigos criados com a finalidade de infectar os computadores espalhados pelo mundo, ante 624.267 casos no ano anterior e 140.690 em 2006. Dos ataques em 2008, 76% estavam ligados ao tipo "keystroke-logging" - que detecta tudo o que a pessoa digita no teclado. Era justamente isso que Ferreira fazia Depois gastava o dinheiro das vítimas com notebooks, celulares e tênis.

A mesma pesquisa mostra um aumento de 192% no número de spams - e-mails que contêm propaganda e, em muitos casos, programas com vírus - na comparação entre 2008 e 2007. No ano passado, foram enviados 349,6 bilhões dessas mensagens, ante 119,6 bilhões em 2007. Por isso, é bom nunca se esquecer de que, por dia, são infectadas cerca de 75 mil máquinas.

O especialista em segurança Jorge Lordello criou a seguinte frase: "A pessoa tem de ter a mesma preocupação com o cartão de crédito, assim como com o filho pequeno, de 3 anos de idade. Nunca perca os dois de seu raio de visão."

Se um funcionário mal intencionado ficar "a sós" com o seu cartão, em poucos segundos ele pode copiar todos os dados da tarja magnética com um aparelho conhecido como "chupa-cabra", que é um pouco maior que a tampa de uma caneta.

O instrumento é o mesmo dispositivo usado na máquina administradora do banco. Como a bandidagem consegue acesso? Retirando-o de um aparelho roubado. Dessa forma, é que acontece o tipo mais comum de clonagem de cartão. Geralmente, ela se dá em posto de gasolina ou restaurante ou nos estabelecimentos que não dispõem da máquina portátil para o cartão.

O outro alvo dos criminosos para tirar dinheiro da vítima é o cartão de débito. O local preferido dos bandidos para aplicar esse golpe é o caixa eletrônico. Eles criam máscaras (fazem moldes semelhantes à tampa da frente da máquina) e as colocam por cima da original.

A cópia se aproxima da peça real porque é produzida com a carcaça de uma máquina roubada. Novamente instalam o "chupa-cabra". Para completar, uma câmera de vídeo é embutida num porta-panfletos que se encontra próximo do caixa eletrônico ou acoplada na própria máscara falsa. O "chupa-cabra" retira os dados da traja magnética do cartão de débito e a câmera filma o movimento das mãos das vítima no momento de digitar a senha. Tem quadrilha que usa até barbante para prender o cartão.

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e as duas principais administradoras de cartões de crédito do País, Mastercard e Visa, não quiseram informar o prejuízo causado por esses tipos de fraude.

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