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03/05/2009 - O Globo Online / Diário de S. Paulo Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Donos vendem carro para ladrões e fraudam seguradoras em São Paulo

Por: Plinio Delphino


SÃO PAULO - Bandidos especializados estão pagando entre R$ 1.500 e R$ 5 mil para donos de carro que queiram sumir com o veículo para receber a indenização da seguradora na capital paulista. O destino do automóvel são desmanches ou oficinas clandestinas de montagem de dublês. A prática em São Paulo é do crime organizado, que financia com o dinheiro arrecadado a compra de armas e drogas, principais fontes de sustentação da facção criminosa que atua nos presídios paulistas. Especialistas em investigação de fraudes contra seguradoras alertam: com a baixa do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) o número de fraudes tende a crescer.

O presidente da Associação Brasileira dos Corretores de Seguro (Abracor), Marco Antônio Damiani, diz que a facilidade de vender carros novos por causa da queda do imposto e do deságio de 20% a 30% no valor do usado são tentações para o cometimento da fraude.

- Se o dono do usado precisa de dinheiro rápido, pode pensar na possibilidade de fraudar a seguradora. Principalmente agora, em época de crise e desemprego - explica.

Investigador de fraudes contra seguros, o empresário italiano Lorenzo Parodi explica que o pequeno delito do cidadão comum ajuda a financiar o crime organizado.

- Muitos bandidos têm lojas de peças de carros. O dinheiro arrecadado movimenta o tráfico de drogas, que é a grande fonte de renda do crime organizado - afirma o italiano.

Parodi, que é membro da Academia Nacional de Seguros e Previdência, criou o site Monitor das Fraudes (www.fraudes.org). Ele afirma que 70% do volume de fraudes contra seguradoras são cometidas no ramo de automóveis. Uma pesquisa da Federação Nacional das Seguradoras (Fenaseg) indicou que, em 2005, 13,6% dos sinistros pagos seriam fraudes que não puderam ser provadas. Mas Parodi acredita que esse número chegue a 30%. O prejuízo pode atingir de R$ 4 bilhões a R$ 5 bilhões.

- Mensurar fraude é muito difícil. É preciso fazer prova - diz.

Ele aponta que entre 40% e 45% das fraudes são cometidas pelo segurado ou beneficiário. Outras 25% são feitas por prestadores de serviço, 15% por corretores e o restante dividido entre funcionários e outros. O estudo de Parodi ainda revela que 78% das fraudes ocorrem na hora da indenização, 12% na contratação e 10% no momento da regulação do seguro.

Ladrão diz quando fazer BO

A análise de perfil do segurado e do veículo envolvido em sinistro são fundamentais para a detecção da fraude. O investigador Lorenzo Parodi diz que quando o segurado some com o carro para receber o dinheiro do seguro precisa ser preciso nas informações e no planejamento da fraude.

- Se fizer algo caseiro demais, a gente pega - garante.

Segundo o italiano, que analisa riscos pela Deall, empresa especializada, cercar a fraude quando o crime organizado está envolvido é bem mais difícil. Segundo ele, os ladrões dizem ao fraudador até quando fazer a queixa na delegacia. Parodi lembra que, antigamente, era comum a pessoa que tentava aplicar a fraude cair em contradições.

- Dizia que havia parado o carro rapidamente para visitar um parente. E, minutos depois, ao voltar, o carro não estava mais no local. Então, o policial pedia para ele apresentar as chaves. E ele não as tinha, pois as havia entregue ao bandido - explica.

Segundo ele, hoje os fraudadores já são melhor orientados pelos criminosos.

- Normalmente eles pagam um valor ao proprietário e levam o carro para o desmanche ou na fabricação de dublê. Depois, os membros do bando voltam a fazer contato com o dono. Devolvem a ele as chaves e os documentos e dão aval para que seja feito o boletim de ocorrência de furto ou roubo do carro - explica Parodi.

A análise de perfil diz muito, segundo ele.

- Se você tem o caso de um empresário bem sucedido que relata o furto de um carro importado, dificilmente será uma fraude. Mas, se esse empresário faliu, ou está cheio de dívidas, a investigação minuciosa se torna necessária - explica.

'Eu precisava de dinheiro rápido'

Especialista em tecnologia da informática, Fabrício (nome fictício), de 28 anos, simulou o furto de seu carro para receber o seguro. Ele diz que foi fácil, mas que se arrepende.

- Meu carro - um Gol - tinha dois anos e apresentava alguns problemas. Eu precisava de dinheiro rápido para montar minha empresa. Sei que o dinheiro vem do crime e não faria de novo. Não gostaria de enfrentar a cadeia por causa de uma besteira - conta ele.

- Eu conhecia um pessoalzinho do Rio Pequeno, zona oeste da capital paulista, desde garoto. São pequenos delinquentes que conhecem bandidos. Comentei com um deles o que precisava. Depois de alguns dias, um deles me deu um ok. Combinamos os detalhes. Como haviam furtado meu som do carro na frente da casa da minha mãe, achei que ali daria maior credibilidade. As chaves e o documento eu entreguei a ele. Quando acordei, o carro já não estava lá. Dei um tempo e fui à delegacia - afirma.

Segundo ele, na delegacia, os policiais não pediram muitos detalhes do roubo. Em menos de um mês, ele recebeu o dinheiro do seguro.

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