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29/04/2009 - Portal Terra / New York Times Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

China é paraíso dos celulares falsificados

Por: David Barboza


As linhas esguias e a tela de toque do celular são inconfundivelmente familiares. O logotipo na traseira também. Mas o vendedor em um grande mercado de eletrônicos em Shenzhen, uma cidade da costa da China, admite que um pouco mais de atenção basta para revelar que o aparelho não é um Apple iPhone, mas um Hi-Phone.

"Mas é tão bom quanto", ele diz.

Em torno de sua barraca, dezenas de outros vendedores estão negociando aparelhos Nokia, Motorola e Samsung falsificados - bem como outras imitações baratas que nem tentam esconder que são imitações.

"Cinco anos atrás, não existiam celulares falsificados", diz Xiong Ting, gerente de vendas da Triquint Semiconductor, fabricante de componentes para celulares, em uma visita a Shenzhen. "Era necessário ter uma equipe de design, programadores, especialistas em hardware. Mas agora, uma empresa com cinco funcionários é capaz de produzir cópias. Em um raio de 160 quilômetros daqui, todos os fornecedores necessários podem ser encontrados".

Avanços tecnológicos permitiram que centenas de pequenas companhias chinesas, algumas das quais com apenas 10 funcionários, produzissem os chamados "shanzhai", ou telefones piratas, vendidos muitas vezes por apenas US$ 20 (R$ 44).

E em um momento no qual as empresas chinesas tendam subir na cadeia de valor industrial, deixando de lado a fabricação de brinquedos e roupas em troca de novas atividades como a fabricação de computadores e carros elétricos, os falsificadores passam por evolução semelhante. Depois de anos fabricando falsas bolsas de grife e DVDs baratos, eles estão capturando mercado que até agora pertencia aos grandes fabricantes mundiais de celulares.

Ainda que os celulares shanzhai existam há apenas alguns anos, já respondem por mais de 20% das vendas na China, que é o maior mercado mundial de celulares de acordo com o grupo de pesquisa Gartner.

Os aparelhos também estão sendo ilegalmente exportados, para a Rússia, Oriente Médio, Europa e até Estados Unidos.

"O mercado de celulares shanzhai está passando por uma louca expansão", disse Wang Jiping, analista sênior da IDC, uma empresa que acompanha as tendências da tecnologia. "Eles copiam a Apple, Nokia, o que quer que desejem, e respondem rapidamente às preferências do mercado".

Alarmadas pelo crescimento dos falsificadores e das imitações sem marca, as grandes empresas mundiais vêm pressionando o governo da China por medidas de repressão à proliferação, e alertam os consumidores quanto aos potenciais riscos desses produtos para a saúde, a exemplo de baterias baratas que podem explodir.

A Nokia, maior fabricante mundial de celulares, diz que está cooperando com Pequim para combater a pirataria. A Motorola afirma coisa parecida. A Apple se recusa a comentar.

Até mesmo os fabricantes chineses de celulares estão perdendo terreno para as empresas clandestinas, que têm uma vantagem inerente de custos porque não pagam impostos ou taxas de regulamentação, e não precisam passar por inspeções de segurança.

"Os telefones shanzhai estão nos prejudicando severamente", disse Chen Zhao, diretor da Konka, uma fabricante chinesa de celulares. "Os fabricantes legítimos de celulares precisam pagar 17% de sua receita como imposto sobre valor adicionado, mas os fabricantes dos shanzhai evidentemente escapam a essa tributação".

Até agora, porém, a China pouco fez para deter a proliferação de falsos celulares, que chegam a ser anunciados em infomerciais nas madrugadas da televisão, com mensagens como "um quinto do preço mas o mesmo jeito e funções", ou apelos patrióticos do tipo "compre shanzhai para mostrar que ama seu país".

No mês passado, o Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação alertou os consumidores sobre os riscos dos aparelhos shanzhai, afirmando que "sua radiação em geral excede os limites". A agência chinesa de proteção ao consumidor diz que celulares defeituosos foram a maior causa de queixa entre os consumidores do país no ano passado.

Algumas semanas atrás, um homem de 45 anos no sul da China sofreu severas queimaduras depois que um celular explodiu no bolso de sua camisa, de acordo com a mídia estatal chinesa.

Mas isso não parece ter afetado as vendas dos celulares clandestinos, que tipicamente saem por preços de entre US$ 100 (R$ 220) e US$ 150 (R$ 330) no varejo. O chamado espírito "shanzhai", que sugere rebeldes ou bandidos e se aplica a toda espécie de produtos falsificados, leva muitos consumidores a aceitarem riscos em troca de um produto que podem comprar barato mas ainda assim parece elegante.

"Vi fotos de um iPhone na web; ele é muito bacana. Mas custa mais de US$ 500 - caro demais para mim", disse Yang Guibin, 30, que trabalha em um escritório na cidade de Chongqing. "Por isso decidi comprar um iPhone shanzhai. Eu o comprei em um mercado de eletrônicos, e é igualzinho ao iPhone".

Essa concorrência já está forçando as marcas mundiais a reduzir preços, dizemos analistas. E começam a emergir novas marcas chinesas como a Meizu, uma aspirante a Apple que abriu lojas modernas no país. "Nosso aparelho é melhor que o iPhone", disse Liu Zeyu, vendedor da empresa em Shenzhen. "A meta é criar um celular que cause orgulho aos chineses".

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