Monitor das Fraudes - O primeiro site lusófono sobre combate a fraudes, lavagem de dinheiro e corrupção
Monitor das Fraudes

>> Visite o resto do site e leia nossas matérias <<

CLIPPING DE NOTÍCIAS


Acompanhe nosso Twitter

17/04/2009 - Cosmo Online Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Sensor aponta combustível adulterado em postos

Por: Rogério Verzignasse

Tecnologia desenvolvida na Unicamp detecta em tempo real adulterações na gasolina ou no álcool.

Um sensor de fibras ópticas, desenvolvido por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), é capaz de confirmar a qualidade do combustível vendido no posto. No exato momento em que o tanque está sendo abastecido, é possível detectar fraudes. Em tempo real, o consumidor conhece, por exemplo, as concentrações da mistura de álcool e gasolina. O sistema aponta se houve adição de água ao álcool puro e também detecta a presença de qualquer substância estranha. A tecnologia permite a descoberta de adulterações em qualquer fase da cadeia produtiva, seja no duto da indústria, no depósito da distribuidora ou no próprio estabelecimento revendedor.

Para que o brasileiro se beneficie, basta que o sensor entre no mercado. A tecnologia já foi licenciada para duas empresas do setor automotivo, que têm os nomes mantidos em sigilo pelas normas da propriedade industrial.

O projeto foi desenvolvido por uma equipe técnica de 15 pessoas, comandada por Carlos Suzuki, de 60 anos, professor da Faculdade de Engenharia Mecânica. São técnicos, especialistas, colaboradores externos, alunos de graduação e pós-graduação, reunidos nos laboratórios do Departamento de Engenharia de Materiais.

Existem dois tipos de fibras ópticas. As passivas servem para transportar a informação, usadas em milhões de quilômetros pelas empresas de telecomunicações. As fibras especiais agregam tecnologia: são funcionais, úteis nos processos de produção, segurança e automação. É nesse segundo time que entra o sensor dos combustíveis. “O mérito da tecnologia é fazer a detecção de combustíveis fora do padrão recomendado com custo reduzido”, diz Suzuki.

As técnicas disponíveis hoje, explica, são métodos de laboratório, que necessitam de instrumentação cara e o tempo de análise é relativamente longo. O novo sensor, simples e de baixo custo, permite a portabilidade e dá resultados imediatos. Além disso, trata-se de um método mais seguro. A tecnologia de fibra óptica tem a vantagem de usar a luz. Outros instrumentos, que fazem uso da corrente elétrica, podem provocar explosão, já que o material analisado é inflamável.

O princípio de aplicação do método inovador é a chamada “reflectometria óptica de altíssima sensibilidade”. A própria fibra é o elemento sensor. A intensidade do sinal óptico refletido na interface da fibra é proporcional ao índice de refração do combustível líquido. É possível identificar na hora a concentração existente de cada elemento da mistura.

O instrumento é delicadíssimo. A ponta do sensor, que tem a espessura de um fio de cabelo, pode ser instalada no carro ou na própria bomba do posto. Uma das empresas licenciadas, por sinal, fabrica equipamentos de abastecimento. A outra é uma montadora de automóveis. O professor não soube informar qual será o custo do sensor para o consumidor final. O preço de mercado, diz Suzuki, será determinado por quem detém o licenciamento. Aos pesquisadores, afirma, cabe desenvolver tecnologia que contribuam para o bem-estar da sociedade.

Robótica

O avanço do segmento óptico comprova que, a cada dia, a as estruturas se tornam inteligentes. Ganham o mercado protegidas contra problemas de pressão, tensão, vibração, deslocamento e temperatura. As fibras ópticas sensoras acusam de imediato as alterações. Se já estivesse no mercado, o sensor poderia, por exemplo, alertar para riscos de desabamento ou acusar que detentos abrem um túnel subterrâneo para fugir da cadeia. Definitivamente, estamos na era da robótica.

O professor lembra dois casos recentes que teriam outro final caso a tecnologia já estivesse disponível: o acidente na Estação Pinheiros da linha 4 do metrô paulistano, em 2007. A cratera gigante matou sete pessoas. Uma tragédia que seria evitada se houvesse sensores denunciando mudanças estruturais. Também seriam detectados no ambiente os bandidos que, em agosto de 2005, invadiram o Banco Central em Fortaleza (CE) e roubaram R$ 164,8 milhões do cofre, no maior assalto bancário da história do Brasil.

Empresa está constituída em incubadora

O professor Suzuki está à frente da Sun Quartz, constituída dentro da Incubadora de Empresas de Base Tecnológica da Unicamp (Incamp). Ela se dedica ao desenvolvimento de fibras amplificadoras, fibras sensoriais e lentes de alta resolução usadas na fabricação de microchipes. São 30 anos de pesquisa. O atual sensor de combustíveis adequa e aprimora informações e tecnologias que remontam à época que o Brasil começou a expandir as comunicações ópticas. Em 1983, por exemplo, a Unicamp começou a desenvolver o Projeto Quartzo Brasileiro. A proposta foi identificar as propriedades de uma matéria-prima abundante em território nacional. É do quartzo que se extrai o silício, material básico das fibras ópticas e células solares. Mas também está presente em centenas de produtos do cotidiano humano, como o alumínio das latas de cerveja e no material de implantes.

SAIBA MAIS

As pessoas interessadas em detalhes sobre os sensores ópticos de combustíveis podem entrar em contato com a Agência de Inovação da Unicamp (Inova) pelo telefones (19) 3521-5205 e 3521-5201. Contatos com o professor Suzuki podem ser feitos pelo e-mail suzuki@fem.unicamp.br.

Página principal do Clipping   Escreva um Comentário   Enviar Notícia por e-mail a um Amigo
Notícia lida 283 vezes




Comentários


Nenhum comentário até o momento

Seja o primeiro a escrever um Comentário


O artigo aqui reproduzido é de exclusiva responsabilidade do relativo autor e/ou do órgão de imprensa que o publicou (indicados na topo da página) e que detém todos os direitos. Os comentários publicados são de exclusiva responsabilidade dos respectivos autores. O site "Monitor das Fraudes" e seus administradores, autores e demais colaboradores, não avalizam as informações contidas neste artigo e/ou nos comentários publicados, nem se responsabilizam por elas.


Patrocínios




NSC / LSI
Copyright © 1999-2016 - Todos os direitos reservados. Eventos | Humor | Mapa do Site | Contatos | Aviso Legal | Principal