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12/04/2009 - Diário de Natal Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Cuidado os golpistas estão cada vez mais criativos

Por: Luiz Freitas


O mundo do crime deve estar mesmo povoado de mentes brilhantes. A cada dia, os ladrões ficam mais espertos e ousados, utilizando um repertório que mistura tecnologia e poder de convencimento, e recorrendo menos à violência e mais à inteligência para afanar nosso dinheiro direto da fonte: os terminais de auto-atendimento bancário.

Vale tudo: filmes de negativos, fitas adesivas e chapas de raio-x para segurar os cartões na máquina; micro-câmeras para filmar senhas; e aparelhos eletrônicos conhecidos como ‘‘chupa-cabras’’, que extraem as informações da tarja magnética do cartão da vítima e repassar para um novo cartão.

O diretor financeiro do Sindicato dos Bancários, Juvêncio Hemetério, comenta que a tecnologia bancária é uma espécie de faca de dois gumes, porque facilitou a vida de clientes e bandidos ao mesmo tempo. Ele acredita que a substituição de funcionários por máquinas deixou o caminho livre para estelionatários e fraudadores. ‘‘Os caixas eletrônicos estão sujeitos a muitos tipos de golpes.Quando o atendimento era humano não se tinha esse tipo de ocorrência’’, afirma.

Segundo Juvênio, embora os usuários devam se precaver contra golpes, a responsabilidade pela segurança dos clientes e bancários é toda do banqueiro. ‘‘Os clientes pagam para ter essa segurança e os bancos cobram por uma segurança que não oferecem. Ao menos essa redução dos custos que os banqueiros tiveram ao substituir a segurança humana pela eletrônica deveria ser repassada para os clientes, que continuam pagando altas taxas e juros. A segurança eletrônica tem um custo menor, mas é ineficiente. Antigamente todos os bancos tinham um vigilante noturno e não tínhamos tantos casos de arrombamentos em caixas eletrônicos ou adulterações nas máquinas’’, aponta.

Mas a culpa nem só é da tecnologia. A desinformação e a confiança excessiva fazem com que todo cuidado seja pouco numa fila de caixa eletrônico. A fraude pode ocorrer presencialmente, quando desconhecidos oferecem ajuda ou vantagens. ‘‘A maior parte da população não tem acesso a tecnologias ou não foi ensinada a utilizá-las e por isso tem dificuldades para utilizar o caixa eletrônico. É comum a própria atendente do banco passar o cartão e digitar a senha do usuário porque ele próprio diz que não sabe e que confia. Isso propicia situações de fraude, porque ele aceita ajuda de estranhos’’, constata.

Aquela pessoa que se mostra atenciosa pode ser o inicio de uma grande dor de cabeça. ‘‘Às vezes os bandidos já têm o cartão de outra vítima e trocam sem que você perceba. Como já decoraram sua senha, basta ir ao próximo caixa eletrônico e sacar todo o seu dinheiro’’, exemplifica. Um público bastante visado pelos fraudadores são os idosos, exatamente porque solicitam mais a ajuda de desconhecidos para efetuarem operações bancárias.

Além das fraudes eletrônicas, Juvêncio Hemetério lembra o crescimento do número de ocorrências da ‘‘saidinha de banco”. Nessa modalidade de golpe, os bandidos colocam uma pessoa na área dos caixas para observar quem está sacando quantias elevadas. Essa pessoa passa a informação para um comparsa, que faz o assalto logo na saída do banco ou segue o cliente até o seu destino. O período mais freqüente desse tipo de crime seria entre o final do mês ao décimo dia do mês seguinte, época de recebimento dos salários. ‘‘O cliente que vai fazer uma grande retirada deve solicitar ao banco para receber o dinheiro numa área interna, até pela questão da conferência do dinheiro. Outra dica é nunca ir sozinho fazer uma operação desse tipo’’, acrescenta.

O publicitário Alex Varela, 32 anos, surpreendeu-se com a ingenuidade de uma senhora que o abordou enquanto ele usava o caixa eletrônico, numa agência bancária na Ribeira. ‘‘Eu estava fazendo um depósito e ela queria que eu sacasse o dinheiro para ela. Me deu o número da conta e a senha. Eu disse que isso era perigoso e que ela não deveria fornecer essas informações, mas ela disse que confiava em mim. As pessoas confiam demais e por isso podem se sujeitar a serem lesadas por pessoas mal intencionadas. É comum ver cenas assim, principalmente nos bancos públicos, com idosos e pessoas desinformadas’’, afirma o publicitário, que nunca sofreu qualquer tipo de golpe.

O fotógrafo policial Cícero Avelino, 54, reforça essa tese. ‘‘O banco tem obrigação de informar e instruir seus clientes sobre como utilizar os caixas eletrônicos. A falta de conhecimento e a confiança das pessoas fazem com que elas sejam vítimas de golpes. O banco é que tem que colocar atendentes para ajudar os clientes. Se um idoso pede ajuda a um desconhecido porque não há atendente é culpa do banco. Para evitar um golpe tem que se seguir a recomendação de não fornecer nunca a senha ou pedir ajuda de estranhos. E se um idoso for fazer uma operação, é bom que esteja acompanhado por alguém da família’’, recomenda.

Lei estabelece normas para melhorar segurança

De acordo com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), existem no Brasil 19 mil agências bancárias. Cada instituição tem uma área especializada responsável pelo planejamento, a elaboração e a implantação do plano de segurança de suas agências, em observância ao que dispõe a lei federal 7.102/83. O plano é feito anualmente e é vistoriado e aprovado pela Polícia Federal.

Essa lei estabelece a vigilância e o alarme como componentes obrigatórios do sistema de segurança de uma agência bancária. Além desses dois itens, a instituição financeira deve adotar um dos seguintes recursos de segurança: cabine blindada; ou, porta de segurança com detectores de metais; ou, câmera; ou, fechadura eletrônica programável no cofre.

Outra medida de segurança adotada pelos bancos, essa na área dos caixas, é que a sinalização de piso para limitação do início da fila é colocada a uma distância média entre 1m e 1,20m da máquina, distância considerada adequada pelos bancos para oferecer segurança à transação eletrônica que o cliente realiza.

Polícia não consegue apurar crimes

O delegado Erivaldo Fonseca, da Delegacia Especializada em Falsificações e Defraudações, reconhece que identificar o autor do crime é tarefa das mais difíceis. ‘‘Geralmente, os estelionatários não aparecem, não deixam rastro de sua identidade. No caso de um caixa eletrônico, apenas iniciantes se deixam filmar durante a ação. É muito difícil chegar até eles. Mesmo quando a fraude ocorre na presença da vitima, é difícil identificar os bandidos, porque eles usam de vários ardis para que isso não ocorra’’, reconhece.

Como só pode agir depois que o crime já ocorreu, o delegado cobra dos bancos a responsabilidade por seus sistemas de segurança. ‘‘Quem tem o poder e o dever de proteger a senha do usuário? Os bancos tem o dever de ter mais rigor com a questão do sigilo dessas senhas. A tecnologia evoluiu bastante, mas vemos que os sistemas de segurança estão fragilizados. Os bandidos evoluíram ainda mais por acompanharam esse desenvolvimento e conseguiram superá-lo, furando os bloqueios aos acessos’’, raciocina.

O processo de apuração do crime também tende a ser difícil. ‘‘Primeiro, temos que comprovar se houve o fato criminoso. Intimamos o dono do estabelecimento onde foram feitas as compras indevidas, fazemos teste de grafismo entre a assinatura no boleto da compra e a assinatura da vítima. Se as assinaturas não forem iguais, vamos atrás de testemunhas que possam descrever o estelionatário, atrás de fitas das gravações de segurança’’, explica.

Ele afirma que a primeira atitude de alguém que tenha seu cartão de crédito clonado ou sofra algum tipo de golpe em caixa eletrônico é comunicar imediatamente a operadora do cartão ou banco e registrar um boletim de ocorrências na delegacia. ‘‘Quando a vítima toma conhecimento de compras não realizadas por ela e presta queixa, fica garantida contra futuras eventualidades. Caso não proceda assim, irá ficar no prejuízo, porque ao pagar as faturas indevidas sem questioná-las, estará reconhecendo aquele débito, que não é seu’’, conta.

Uma vez comunicada da fraude, a operadora deverá bloquear o cartão e alterar dados e senha. No âmbito da delegacia, é instaurado um procedimento para apurar a ocorrência do crime e sua autoria.

O delegado admite que é bastante fácil para um estelionatário conseguir documentos originais de outra pessoa e a partir daí abrir contas bancárias e realizar gastos, por isso os bandidos usam de expedientes inusitados. ‘‘De posse do número de identidade, CPF, endereço e filiação da vítima, o golpista pode chegar numa delegacia e registrar um Boletim por perda de documentos. Daí, para ele conseguir uma segunda via original de identidade ou CPF é muito fácil, porque se alguém for verificar cadastros, todas as informações vão bater com os dados informados’’, expõe.

Segundo Everaldo Fonseca, o usuário jamais deve fornecer informações pessoais a desconhecidos. ‘‘Na maioria dos casos, a vítima de estelionato é quem deu causa ao crime. Isso porque eles buscam vantagem em uma promessa que lhe é feita. Se alguém diz que você ganhou determinada coisa sem que você tenha participado de um sorteio ou aposta, alguma coisa está errada nessa história’’, alerta.

Nos caixas eletrônicos, deve-se sempre verificar se as máquinas não estão adulteradas de alguma forma. ‘‘Se o cliente notar algo diferente, como movimentações estranhas ou mesmo pessoas tentando ver a senha dele, deve procurar funcionários do banco ou se dirigir para outro terminal”, acrescenta.

De acordo com o coordenador geral do Procon/RN, Beto Madruga, o número de queixas sobre fraudes bancárias no órgão é bastante pequeno. Contudo, o coordenador ressalta que é obrigação do banco restituir os clientes que tenham sido lesados de alguma forma, pois é responsabilidade do banco oferecer segurança ao seu cliente para que ele não sofra com golpes e assaltos.

Conheça os golpes e não seja a próxima vítima

Os golpes aplicados em caixas eletrônicos são muitos. Na semana passada, a polícia de São José do Rio Preto (SP) flagrou dois homens enquanto instalavam um painel idêntico ao do caixa eletrônico. Atrás do painel, um computador portátil seria usado para captar as senhas. O caso foi descoberto depois que os golpistas desviaram a câmera do equipamento e a central de monitoramento interno acionou a polícia.

Em São Paulo, um outro golpe foi registrado: um mecânico mantinha um telefone dentro do caixa eletrônico como se fosse o da agência. Ele colocava um objeto para prender o cartão do cliente, que era obrigado a ligar para o banco e solicitar a liberação. Só que, dentro do telefone fixo estava um aparelho celular. Quando o cliente ligava, o estelionatário atendia e conseguia todos os dados do cartão magnético. Depois que a vítima deixava a agência, o golpista usava o cartão para tirar o dinheiro da conta.

O golpe do telefone tem variações. Numa delas, bandidos danificam o telefone de comunicação dos caixas eletrônicos para aplicar o golpe. O estelionatário oferece o telefone celular para o cliente reclamar da perda do cartão e do outro lado da linha está outro golpista que simula um atendimento e no final da ligação pede para a vítima digitar sua senha. Em outra versão, os bandidos colocam no caixa eletrônico um dispositivo que prende o cartão magnético do cliente e um aviso com o logotipo do banco e o telefone para informações. A vítima, ao ver seu cartão retido, pede informações ao golpista, decide usar o telefone e é atendida por outro estelionatário, o qual se faz passar por funcionário do telemarketing do banco. A vítima fornece dados como o número da sua conta e a sua senha numérica e é orientada a procurar uma agência bancária para formalizar o extravio do cartão. Com a senha e o cartão em mãos, os golpistas sacam o dinheiro da conta.

Em outra modalidade, a de “travamento”, o estelionatário introduz uma fita no espaço destinado a inserção do cartão, provocando a sua retenção na máquina. O bandido então oferece ajuda, pedindo que o cliente digite a senha para que seu cartão seja devolvido, momento em que a memoriza. Como o cartão continua retido, a vítima vai buscar auxílio de um funcionário da agência bancária, oportunidade em que o cartão é retirado pelo estelionatário com o auxílio de um pedaço de ferro, clonando-o em máquina própria e colocando-o novamente no caixa eletrônico. O cliente, com a ajuda do segurança do banco retira o cartão, desconhecendo que o mesmo foi clonado. Só toma conhecimento quando confere seu extrato bancário e verifica que saques foram realizados por terceiros.

Ainda há mais uma modalidade, na qual o estelionatário trava as teclas de operação do caixa eletrônico. A vítima se aproxima e introduz o cartão na máquina, digitando a senha e solicitando o serviço desejado, não consegue efetuar a operação. Após essa primeira etapa, o golpista oferece ajuda, orientando a vítima a retirar o cartão e procurar outro caixa disponível, já havendo memorizado a senha. A vítima se dirige a outro terminal sem encerrar a operação e deixa a tela do computador aberta, com seus dados bancários. O estelionatário destrava as teclas e efetua quaisquer operações na conta corrente da vítima, saindo imediatamente do local, antes que a vítima constate o prejuízo.

Como prevenir-se de assaltos e golpes

Não vá ao banco sozinho.

Não aceite ajuda de estranhos. Procure a orientação de um funcionário do banco que apresente identificação visível.

Antes de iniciar a operação em um caixa eletrônico verifique se o dispositivo onde o cartão é inserido está fixo. Verifique se há algum acessório no dispositivo de entrada do cartão. Certifique-se que a máquina está em perfeitas condições e não há fios soltos.

Não digite a senha em celulares de desconhecidos.

Caso seu cartão magnético fique retido no caixa eletrônico, não digite sua senha para tentar retirá-lo, tecle ANULA para cancelar a operação e chame imediatamente um funcionário do banco, por intermédio de um terceiro. Não permita que desconhecidos se aproximem do caixa e não digite sua senha na presença de estranhos .

Nunca abandone o caixa eletrônico com o seu cartão retido no terminal.

No caixa, se for necessário digitar a senha, coloque o corpo bem junto ao teclado, para evitar que golpistas vejam o número da combinação.

Use os caixas eletrônicos localizados na parte interna das agências bancárias ou em locais movimentados (postos de gasolina ou shoppings, por exemplo), de preferência durante o dia.

Cuidado com a senha do cartão. Não guarde o número da senha junto com o cartão.

Não escolha como senha dados como data de nascimento, placa do carro e nem repita o mesmo número várias vezes.

Quando perder o cartão, comunique imediatamente à agência ou às centrais de atendimento de seu banco e registre a ocorrência na delegacia mais próxima.
Confira o dinheiro ainda no caixa. Evite fazê-lo na saída do banco.

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